quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Santa Bernadette - Inocência e Sabedoria!





Santa Bernadete: Inocência e Sabedoria
Ainda há algumas décadas, era comum encontrar-se o brilho da inocência no rosto de crianças e até de pessoas não muito jovens. O sorriso puro, o olhar límpido, a compostura dos gestos e modos, a louçania das atitudes indicavam a transparência da alma que não maculara sua veste batismal.
Como isso vai rareando! Incontável número de crianças perde a inocência logo nos primeiros embates da vida. Grande responsabilidade por esse gravíssimo dano é da televisão, a qual, com seus programas vulgares, obscenos e violentos, pode ser chamada de verdadeira exterminadora da inocência.  

Comparação chocante

Observe caro leitor, as fotografias de Santa Bernadete Soubirous. Na foto ao lado – colhida três anos após as aparições -, ela estava com 17 anos de idade. Embora fosse uma pastora paupérrima e analfabeta, seu traje é digno, limpo, recatado. Sua fisionomia – os olhos sobretudo, que são o espelho da alma – exprime pureza, retidão, bondade. Em suma, é uma jovem inocente.

Na outra fotografia a Santa Bernadete estava de partida para a cidade de Nevers, a fim de se tomar religiosa -, vê-se que sua inocência desabrochou em outras virtudes. Sua face virginal indica também seriedade, firmeza, combatividade, amor à Cruz, desejo ardente do Céu.

Compare agora essas fotografias com tantas jovens de hoje em dia. Quantas delas têm costumes livres, modos de vestir contrários ao pudor, atitudes vulgares, conversação chula, quando não diretamente lúbrica, que revelam almas de há muito rompidas com sua integridade batismal.

Tal comparação nos conduz à pergunta: o que vem a ser a inocência?

Etimologia da palavra
inocência

Recorramos à etimologia, para conhecer bem o sentido da palavra.

Inocência vem do latim: in (negação) e nocentia (maldade). A inocência, portanto, é a qualidade da alma isenta do mal. É integra, temperante, reta. O que a caracteriza é a posse de todas as virtudes, pelo menos em estado germinativo.

Nosso Senhor Jesus Cristo é a própria Inocência. Nossa Senhora, a criatura inocente no mais alto grau. E os santos, ou sempre a conservaram, ou restauraram a inocência perdida, amando-a mais do que a menina de seus olhos.

A restauração da inocência, após a queda original, não significa a reaquisição do chamado estado de inocência, que era a situação na qual se encontravam Adão e Eva, no Paraíso terrestre, antes daquele pecado. Tal estado supunha a posse dos dons preternaturais (ver quadro Inocência: sentido teológico).

Deturpação do conceito de inocência

É próprio da Revolução anticristã adulterar o sentido de todas as coisas. Assim, a noção de inocência foi distorcida pelo espírito revolucionário, insinuando-se ou dizendo-se claramente que ela se aplica apenas às crianças. E, como conseqüência, inocência é sinônimo de ingenuidade, infantilidade, bobice.

Na realidade, a inocência é o oposto disso. A pessoa verdadeiramente inocente é ao mesmo tempo sagaz, firme, séria, refletida, sapiencial. E, sobretudo, a inocência não é uma Virtude apenas de crianças, mas deve desabrochar em todas as virtudes, ao longo da vida, como é o caso de Santa Bernadete.

Restauração da inocência

Quem teve a desgraça de perder a inocência, precisa rezar, fazer penitência e lutar arduamente por Readquiri-Ia.

Santa Maria Madalena é exemplo belíssimo de inocência readquirida. De pecadora pública, ela se deixou de tal maneira inflamar de amor por Deus, que a única razão de sua vida passou a ser penitenciar-se por seus pecados anteriores, bem como louvar, reverenciar e servir ao Divino Mestre.

Santo Agostinho caiu muitas vezes em pecados de sensualidade e, pior, chegou a precipitar-se no abismo d.a heresia maniquéia. Mas, pelas lágrimas de sua mãe, Santa Mônica, e pelo apostolado de Santo Ambrósio, ele correspondeu à graça, converteu-se, santificou-se, tornando-se um dos maiores luzeiros da Santa Igreja.

Portanto, mesmo que nossas quedas tenham sido contra a Fé católica pecados muitíssimo mais graves que a impureza -, não devemos Jamais desanimar.

Convém esclarecer, entretanto, que a inocência não se identifica com castidade, como muitos poderiam pensar. A inocência é mais alta, mais nobre, mais abarcativa do que a castidade. Todo inocente é casto; mas nem todo casto tem inocência. Diz-se que Robespierre – o facínora que dominou o governo na era do Terror, durante a Revolução Francesa – era casto …

A inocência talvez pudesse ser comparada à opala, enquanto a virtude da pureza seria umas das irisações daquela pedra.

Sabedoria: fruto da inocência

Um dos mais preciosos frutos da inocência é a virtude e o dom da sabedoria, mediante os quais a alma sempre procura – com gosto, com sabor (daí a palavra sabedoria) – o aspecto mais elevado de todas as coisas. A pessoa sapiencial está continuamente voltada para o sublime.

Sabedoria não se confunde com instrução. Para adquiri-Ia não é preciso freqüentar escolas, obter diplomas ou ler muitos livros. Basta seguir com perfeição o preceito dado pelo Criador a Moisés: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo teu coração, e de toda a tua alma, e com toda a tua força” (Deut. 6, 5).

O primeiro olhar”

O grande teólogo francês, Padre Garrigou-Lagrange OP (18771964), em seu livro O Senso comum, dedicou um capítulo ao tema da inocência. O titulo do capítulo O primeiro olhar visa designar a inocência, revelando igualmente o interesse do autor em investigar as raízes da mencionada virtude na alma humana. Essas páginas também demonstram a importância que concedia ao tema inocência um dos luminares da teologia e da espiritualidade contemporâneas.

O Padre Garrigou-Lagrange lecionou durante 51 anos no Angelicum, famoso instituto teológico de Roma. Foi diretor espiritual de Madre Chiquinha do Rio Negro, brasileira, fundadora de uma congregação religiosa em Roma,. Falecida em odor de santidade. Visitou nossa Pátria no início da década de 30.

Alguns exemplos da vida de Santa Bernadete ilustram bem todas essas noções, revelando ao vivo, a sabedoria e vigor da alma inocente.

O delegado de polícia tremia

Simples pastora, Bernadete não sabia ler nem escrever, ao se iniciarem as aparições de Nossa Senhora, em 11 de fevereiro de 1858. Nem mesmo falava ela o francês; apenas o patois, o dialeto local. Tinha catorze anos de idade, e ainda não recebera a Primeira Comunhão.

Entretanto, quando foi intimada a depor na polícia à noitinha do domingo 21 de fevereiro de 1858, dia da sexta aparição – sua inocência confundiu o orgulhoso delegado Jacomet. Este havia colocado em prisão, durante quinze dias, no ano anterior, o pai de Santa Bernadete, Francisco Soubirous, o qual fora acusado injustamente de ter furtado uma viga de madeira abandonada. A inculpabilidade de Francisco foi, aliás, reconhecida pelo juiz, que mandou arquivar o processo por falta de matéria criminal.

Jacomet crivou Santa Bernadete d.e perguntas. Quando indagou a idade da vidente, esta afirmou que não sabia exatamente se tinha treze ou catorze anos … Depois do longo e penoso interrogatório, o delegado começou a ler o depoimento, mas alterando propositadamente as palavras de Bernadete. A santa corrigiu-o com firmeza e segurança, e repetiu fielmente o que dissera. Jacomet ameaçou prendê-la, mas ela se manteve tranqüila.

Tal foi a brutalidade e insolência de Jacomet, que este chegou a dizer à inocente jovem: “Você arrasta todo mundo atrás de si, você quer tornar-se uma pequena meretriz”.(1) Utilizamos no final dessa frase uma palavra que pode ser. consignada numa revista católica. Mas o leitor deve ter presente que o delegado empregou o termo chulo correspondente.

O rumor de que Bernadete podia ser presa correu como um rastilho de pólvora na pequena e pacata Lourdes. Uma multidão aglomerou-se diante da delegacia, começou a gritar e desferir golpes nas portas e janelas, exigindo que Jacomet libertasse Bernadete.

O pai da vidente entrou na delegacia para proteger a filha, e o iníquo Jacomet também ameaçou-o de prisão, caso não proibisse Bernadete de voltar à gruta de Massabielle, onde se davam as aparições de Nossa Senhora.

Terminado o interrogatório policial, Santa Bernadete estava calma e distendida, enquanto o delegado tremia … Aqui bem se aplica a frase da Sagrada Escritura: “O caminho do Senhor é à fortaleza do inocente, mas o terror dos malfeitores” (Prov. 10,29).

Ao sair da delegacia, Santa Bernadete foi cercada pelo povinho, que lhe fez muitas perguntas. Sempre amável, ela sorriu.
- O que te diverte? indagou alguém.

Num comentário característico da alma inocente, a santa observou: “O delegado tremia; ele tinha em sua boina um pingente que fazia tintim”.(2)

O procurador imperial não encontra o buraco do tinteiro

As repercussões dos fatos ocorridos na gruta de Massabielle foram imensas em toda a França. Os milagres estupendos ali operados representavam um terrível golpe no ateísmo que grassava no século XIX, sob o nome de racionalismo.

Assim, o próprio Chefe de Estado francês, Luís Napoleão Bonaparte – que utilizava o título caricato de Napoleão III -, enviou a Lourdes o procurador Vital Dutour, a fim de interrogar a vidente.

Imagine o leitor o que significava para a minúscula cidade de Lourdes a chegada de um enviado de Napoleão III, o qual, apesar de ter idéias socialistas, gozava então de grande prestígio. Ser interrogado por Dutour causaria temor e talvez até pavor em qualquer habitante de Lourdes. Menos na inocente Bernadete …

O interrogatório foi realizado em 25 de fevereiro de 1858, no mesmo dia da nona aparição, na qual a Santíssima Virgem ordenara a Santa Bernadete que bebesse água da gruta, ali se lavasse e também comesse um pouco de erva silvestre existente nas encostas do rochedo. Para cumprir a ordem de Nossa Senhora – que lhe era incompreensível, pois não havia água nenhuma na gruta – Bernadete esgravatou a terra e, tomando com o côncavo da mão a água lamacenta que apareceu, bebeu-a; depois, repetindo a operação, lambuzou o rosto. O gesto pareceu a muitos um ato de insanidade da vidente. Mas foi a origem da famosa fonte de Lourdes, procurada hoje por cinco milhões de peregrinos anualmente …

Naquele tempo, usava-se para escrever uma pena de pato ou de ganso, bem como tinteiro com um orifício através do qual se alimentava a pena.

Dutour iniciou as perguntas com cortesia e até com benevolência.’ fazendo muitas anotações nos papéis colocados sobre a escrivaninha. Mas, como fizera Jacomet, ele distorceu as palavras de Bernadete. Lendo-as para a santa, esta protestou energicamente, corrigindo o procurador e repetindo com exatidão o que afirmara.

O procurador imperial ficou inseguro diante daqueles olhos límpidos que o julgavam. Tomado pela irritação, disse bruscamente à santa: “Você comeu hera, como fazem os animais”.

Santa Bernadete sabia perfeitamente que Nossa Senhora lhe dera essa ordem, para que a vidente demonstrasse sua humildade e obediência. Mas para o procurador ela nada revelou e apenas sorriu candidamente.

Tal foi o desconcerto de Dutour que sua mãos começaram a tremer, e ele não conseguiu mais encontrar o buraco do tinteiro para ali colocar a pena …

Depois de ameaçá-la de prisão e, vendo a firmeza e a calma de Bernadete, Dutour tremia cada vez mais. E acabou por desistir de encontrar o buraco do tinteiro, deixando a pena sobre a escrivaninha.

Bernadete sorriu, mostrando mais uma vez sua segurança interior, fruto de sua inocência.

Chegando ao cachot – antiga prisão de Lourdes, onde residia a família Soubirous -, uma jovem perguntou a Santa Bernadete:

“- Então, você confessou?

“- Sim, eu disse a verdade; eles falam mentiras”.

E, pensando nos traços feitos pelo procurador nos papéis colocados sobre a escrivaninha, a santa perguntou:

“- Quando não se escreve bem, fazem-se cruzinhas? O senhor procurador fazia continuamente cruzinhas” (3).

As cruzinhas indicam bem o desconcerto do procurador Dutour, ao passo que Bernadete . conservava – em meio a toda pressão psicológica do interrogatório – pleno domínio de si, a ponto de ainda poder observar candidamente o gesto nervoso continuo de seu atrabiliário inquiridor.

Luís Veulliot: “Sou um miserável”
O célebre polemista católico Luís Veuillot, que muito combateu o liberalismo no século passado, foi duas vezes a Lourdes para conversar com Santa Bernadete. Ele estava então no apogeu de sua glória, pois havia prestado muitos serviços à Igreja e à França.

As autoridades eclesiásticas proibiram o notável escritor de tratar com Santa Bernadete o assunto das aparições. Assim, as entrevistas se desenrolaram sobre temas de somenos importância. Mas o arguto publicista percebeu claramente que estava diante de uma santa e, logo após a primeira conversa) em 28 de julho de 1858, afirmou: “E uma ignorante. Mas ela vale mais do que eu, pois sou um miserável “(4)”.

Inocência: sentido teológico

Do ponto de vista estritamente teológico, o termo inocência deriva da expressão estado de inocência, que era a situação desfrutada por Adão e Eva no Paraíso terrestre, antes do pecado original.

Esse estado de inocência comportava os dons preternaturais, a saber: o homem, quanto a seu corpo, era

Preservado da dor e da morte; e, quanto à sua alma, estava isento da concupiscência desordenada e da ignorância.

No presente artigo, o termo inocência é empregado no sentido comum ou corrente, que está mais vinculado à acepção etimológica. Entretanto, convém acentuar que mesmo

Esse sentido comum da palavra supõe que a inocência – após a perda do estado de inocência devido ao pecado original – reprime a concupiscência desordenada e, de certo modo, sana a ignorância pela prática da virtude e do dom da sabedoria.

O sacramento do Batismo nos obtém a remissão do pecado original, mas não restaura o estado de inocência em sua integridade, nem restabelece os quatro dons preternaturais supra citados, anexos àquele estado. Assim, muitos dos efeitos do pecado original permanecem no homem, como o trabalho penoso, as doenças e a morte, e sobretudo a inclinação ao pecado, contra a qual devemos lutar, com a indispensável ajuda da graça divina.

O sacramento da Penitência, por sua vez, perdoa os pecados que come- temos depois do Batismo. Analogamente, porém, não restaura em nós a inocência batismal, pois o pecado atual, ou pessoal – assim chamado para distinguir do pecado original deixa em nossa alma marcas mais profundas, ou menos, que só uma vida de séria e contínua penitência pode apagar.

A restauração da inocência – à qual se alude no presente artigo – é uma graça muito especial que Deus concede como prêmio dessa vida de penitência, e corresponde a uma limpidez de alma equivalente à da inocência batismal.

Algumas almas muito penitentes têm sido favorecidas com esse dom especialíssimo, como se conta na vida de Santa Margarida de Cortona, por exemplo.

O tema é amplo e profundo, e comportaria uma explanação mais extensa. O que foi dito é suficiente para o leitor se situar na problemática deste artigo.
Todos nós, pecadores, podemos repetir as palavras de Luís Veuillot: somos miseráveis.

O grande Doutor mariano e famoso missionário do século XVIII, São Luis Maria Grignion de Montfort, vai muito mais longe, dizendo que todo homem é um “vermezinho e miserável pecador” (5).

Compenetrados desta verdade, elevemos nossas almas ao Céu e peçamos a Santa Bernadete que nos obtenha de Nossa Senhora a restauração da insigne virtude da inocência, caso a tenhamos perdido. E que a santa vidente de Lourdes alcance de Maria Virgem a preservação dessa virtude em nossa alma, se ela for inocente.

Se cada um de nós for verdadeiramente inocente, pela ação da graça divina – somente concedida através de Nossa Senhora – este vermezinho poderá transformar-se num leão, incutindo terror nos inimigos da Santa Igreja e da Civilização Cristã, e trilhará a bendita senda que conduz à santidade.



DATAS DAS APARIÇÕES E PALAVRAS DE NOSSA SENHORA EM LOURDES. ANO: 1858
11 de fevereiro: primeira aparição.

14 de fevereiro: segunda aparição.

18 de fevereiro: terceira aparição.

1) Isto não é necessário, em resposta à pergunta de Bernadete: “Vós poderíeis ter a bondade de pôr vosso nome por escrito?”

Vós poderíeis fazer o favor de vir aqui durante quinze dias?

3) Eu não vos prometo tomar feliz neste mundo, mas no outro.

19 de fevereiro: quarta aparição.

20 de fevereiro: quinta aparição.

21 de fevereiro: sexta aparição.

23 de fevereiro: sétima aparição.

24 de fevereiro: oitava aparição.

25 de fevereiro: nona aparição.

Ide beber na fonte e ali vos lavar.

5) Vós comereis daquela erva que ali está.

27 de fevereiro: décima aparição.

28 de fevereiro: 11ª aparição.
6) Penitência! Penitência! Penitência!

Vós rezareis a Deus pelos pecadores.

Ide beijar o chão em penitência pela conversão dos pecadores.

1º de março: 12ª aparição.

2 de março: 13 aparição.

9) Ide dizer aos padres que se venha aqui em procissão e que se construa aqui uma capela.

Ide dizer aos padres para construírem aqui uma capela.

3 de março: 148 aparição.

4 de março: 158 aparição.

25 de março: 168 aparição.

11) Eu sou a Imaculada Conceição.

7 de abril: 178 aparição.

16 de julho: 188 e última aparição. Palavras de Nossa Senhora em datas incertas:

Eu vos proíbo de dizer isso a qualquer pessoa.

Essas palavras referem-se aos três segredos e à oração secreta. Nossa Senhora repetiu-as várias vezes.
(Padre René Laurentin, Bernadette vous parle, P. Lethielleux. Lourdes, 1972, vol. I, p. 298).
____________________
NOTAS:
I. Padre René Laurentin, Bernadette vaus parle, P. Lethielleux, Lourdes, 1972, voI. I, p. 66.
2. Idem, p. 69.
3. Idem, p. 90.
4. Idem, p. 178.
5. Trecho da Consagração a Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, pelas mãos de Maria, in Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Editora Vozes, Petrópolis, 1974,88 ed, p. 282.
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sábado, 25 de dezembro de 2010

Homilia do Santo Padre Bento VXI - Sonelidade do Natal do Senhor.

SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR
HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI
Basílica Vaticana
24 de Dezembro de 2010


Amados irmãos e irmãs!
«Tu és meu filho, Eu hoje te gerei» – com estas palavras do Salmo segundo, a Igreja dá início à liturgia da Noite Santa. Ela sabe que esta frase pertencia, originariamente, ao rito da coroação do rei de Israel. 
O rei, que por si só é um ser humano como os outros homens, torna-se «filho de Deus» por meio do chamamento e entronização na sua função: trata-se de uma espécie de adopção por parte de Deus, uma acta da decisão, pela qual Ele concede a este homem uma nova existência, atraindo-o para o seu próprio ser. 
De modo ainda mais claro, a leitura tirada do profeta Isaías, que acabámos de ouvir, apresenta o mesmo processo numa situação de tribulação e ameaça para Israel: «Um menino nasceu para nós, um filho nos foi concedido. Tem o poder sobre os ombros» (9, 5). 
A entronização na função régia é como um novo nascimento. E, precisamente como recém-nascido por decisão pessoal de Deus, como menino proveniente de Deus, o rei constitui uma esperança. O futuro assenta sobre os seus ombros. É o detentor da promessa de paz. 
Na noite de Belém, esta palavra profética realizou-se de um modo que, no tempo de Isaías, teria ainda sido inimaginável. Sim, agora Aquele sobre cujos ombros está o poder é verdadeiramente um menino. N’Ele aparece a nova realeza que Deus institui no mundo. Este menino nasceu verdadeiramente de Deus. É a Palavra eterna de Deus, que une mutuamente humanidade e divindade. Para este menino, são válidos os títulos de dignidade que lhe atribui o cântico de coroação de Isaías: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz (9, 5). Sim, este rei não precisa de conselheiros pertencentes aos sábios do mundo. Em Si mesmo traz a sapiência e o conselho de Deus. Precisamente na fragilidade de menino que é, Ele é o Deus forte e assim nos mostra, face aos pretensiosos poderes do mundo, a fortaleza própria de Deus.
Na verdade, as palavras do rito da coroação em Israel não passavam de palavras rituais de esperança, que de longe previam um futuro que haveria de ser dado por Deus. Nenhum dos reis, assim homenageados, correspondia à sublimidade de tais palavras. Neles, todas as expressões sobre a filiação de Deus, sobre a entronização na herança dos povos, sobre o domínio das terras distantes (Sal 2, 8) permaneciam apenas presságio de um futuro – como se fossem painéis sinalizadores da esperança, indicações apontando para um futuro que então era ainda inconcebível. Assim o cumprimento da palavra, que tem início na noite de Belém, é ao mesmo tempo imensamente maior e – do ponto de vista do mundo – mais humilde do que a palavra profética deixava intuir
É maior, porque este menino é verdadeiramente Filho de Deus, é verdadeiramente «Deus de Deus, Luz da Luz, gerado, não criado, consubstancial ao Pai». Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele «desceu» verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus-conosco
O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz. Em todo o lado onde ela é celebrada, temos uma ilha de paz, daquela paz que é própria de Deus. Este menino acendeu, nos homens, a luz da bondade e deu-lhes a força para resistir à tirania do poder. Em cada geração, Ele constrói o seu reino a partir de dentro, a partir do coração. Mas é verdade também que «o bastão do opressor» não foi quebrado. Também hoje marcha o calçado ruidoso dos soldados e temos ainda incessantemente a «veste manchada de sangue» (Is 9, 3-4). 
Assim faz parte desta noite o júbilo pela proximidade de Deus. Damos graças porque Deus, como menino, Se confia às nossas mãos, por assim dizer mendiga o nosso amor, infunde a sua paz no nosso coração. Mas este júbilo é também uma prece: Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de «uma paz sem fim» (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o «reino da justiça, do amor e da paz».
«Maria deu à luz o seu filho primogénito» (Lc 2, 7). Com esta frase, São Lucas narra, de modo absolutamente sóbrio, o grande acontecimento que as palavras proféticas, na história de Israel, tinham com antecedência vislumbrado. Lucas designa o menino como «primogénito». Na linguagem que se foi formando na Sagrada Escritura da Antiga Aliança, «primogénito» não significa o primeiro de uma série de outros filhos. A palavra «primogénito» é um título de honra, independentemente do facto se depois se seguem outros irmãs e irmãs ou não. Assim, no Livro do Êxodo, Israel é chamado por Deus «o meu filho primogénito» (Ex 4, 22), exprimindo-se deste modo a sua eleição, a sua dignidade única, o particular amor de Deus Pai.
A Igreja nascente sabia que esta palavra ganhara uma nova profundidade em Jesus; que n’Ele estão compendiadas as promessas feitas a Israel. Assim a Carta aos Hebreus chama Jesus «o primogénito» simplesmente para O qualificar, depois das preparações no Antigo Testamento, como o Filho que Deus manda ao mundo (cf. HebCartas aos Colossenses e aos Efésios, ampliou e aprofundou a ideia de Jesus como primogénito: Jesus – dizem-nos as referidas Cartas – é o primogénito da criação, o verdadeiro arquétipo segundo o qual Deus formou a criatura-homem. O homem pode ser imagem de Deus, porque Jesus é Deus e Homem, a verdadeira imagem de Deus e do homem. Ele é o primogénito dos mortos: dizem-nos ainda aquelas Cartas.
 
Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogénito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro duma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rómulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus. Esta nova família de Deus começa no momento em que Maria envolve o «primogénito» em faixas e O reclina na manjedoura.  
Supliquemos-Lhe: Senhor Jesus, Vós que quisestes nascer como o primeiro de muitos irmãos, dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família.

1, 5-7). O primogénito pertence de maneira especial a Deus, e por isso – como sucede em muitas religiões – devia ser entregue de modo particular a Deus e resgatado com um sacrifício de substituição, como São Lucas narra no episódio da apresentação de Jesus no templo. O primogénito pertence a Deus de modo particular, é por assim dizer destinado ao sacrifício. No sacrifício de Jesus na cruz, realiza-se de uma forma única o destino do primogénito. Em Si mesmo, Jesus oferece a humanidade a Deus, unindo o homem e Deus de uma maneira tal que Deus seja tudo em todos. São Paulo, nas
No fim, o Evangelho de Natal narra-nos que uma multidão de anjos do exército celeste louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que Ele ama» (Lc 2, 14). A Igreja ampliou, no hino «Glória...», este louvor que os anjos entoaram à vista do acontecimento da Noite Santa, fazendo dele um hino de júbilo sobre a glória de Deus. «Nós Vos damos graças por vossa imensa glória». 
Nós Vos damos graças pela beleza, pela grandeza, pela tua bondade, que, nesta noite, se tornam visíveis para nós. A manifestação da beleza, do belo, torna-nos felizes sem que devamos interrogar-nos sobre a sua utilidade. A glória de Deus, da qual provém toda a beleza, faz explodir em nós o deslumbramento e a alegria. Quem vislumbra Deus, sente alegria; e, nesta noite, vemos algo da sua luz. Mas a mensagem dos anjos na Noite Santa também fala dos homens: «Paz aos homens que Ele ama». A tradução latina desta frase, que usamos na Liturgia e remonta a São Jerónimo, interpreta diversamente: «Paz aos homens de boa vontade». Precisamente nos últimos decénios, esta expressão «os homens de boa vontade» entrou de modo particular no vocabulário da Igreja. Mas qual é a tradução justa? Devemos ler, juntas, as duas versões; só assim compreendemos rectamente a frase dos anjos. Seria errada uma interpretação que reconhecesse apenas o agir exclusivo de Deus, como se Ele não tivesse chamado o homem a uma resposta livre e amorosa. Mas seria errada também uma resposta moralizante, segundo a qual o homem com a sua boa vontade poder-se-ia, por assim dizer, redimir a si próprio. As duas coisas andam juntas: graça e liberdade; o amor de Deus, que nos precede e sem o qual não O poderemos amar, e a nossa resposta, que Ele espera e até no-la suplica no nascimento do seu Filho. O entrelaçamento de graça e liberdade, o entrelaçamento de apelo e resposta não podemos dividi-lo em partes separadas uma da outra. Ambas estão indivisivelmente entrançadas entre si. Assim esta frase é simultaneamente promessa e apelo. Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça connosco. Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver paz na terra.
Lucas não disse que os anjos cantaram. Muito sobriamente, escreve que o exército celeste louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus nas alturas…» (Lc 2, 13-14). Mas desde sempre os homens souberam que o falar dos anjos é diverso do dos homens; e que, precisamente nesta noite da jubilosa mensagem, tal falar foi um canto no qual brilhou a glória sublime de Deus. Assim, desde o início, este canto dos anjos foi entendido como música vinda de Deus, mais ainda, como convite a unirmo-nos ao canto com o coração em júbilo pelo facto de sermos amados por Deus. Diz Santo Agostinho: Cantare amantis est – cantar é próprio de quem ama. Assim ao longo dos séculos, o canto dos anjos tornou-se sempre de novo um canto de amor e de júbilo, um canto daqueles que amam. Nesta hora, associemo-nos, cheios de gratidão, a este cantar de todos os séculos, que une céu e terra, anjos e homens. Sim, Senhor, nós Vos damos graças por vossa imensa glória. Nós Vos damos graças pelo vosso amor. Fazei que nos tornemos cada vez mais pessoas que amam juntamente convosco e, consequentemente, pessoas de paz. Amen.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

É NATAL!!!


Aproxima-se a festa do Natal. Para os que têm fé, Natal é a chegada feliz de Deus que vem a nosso encontro para nos fazer irmãos e nos ensinar os caminhos do bem. Veio na frieza da noite para acender em nós o fogo do amor e nos fazer irmãos. Veio pobre para nos dar a riqueza de Deus. Os anjos iluminaram a noite e trouxeram a mensagem do céu: “Nasceu hoje para vós o Salvador” (Lc 2, 10). Isto era  o Natal...

Infelizmente hoje o Natal é festa comercial: vende-se muito e desperta-se a necessidade de comprar. A festa atual é do comércio. Perdeu-se o clima da reunião da família, em que as crianças se alegravam com seus pequenos presentes: bolas, bonecas, carrinhos. Tudo simples e familiar, recordando a chegada de Deus-Menino nos braços de Maria.

Entre as cenas tão lindas da chegada de Jesus, de que São Lucas nos dá noticia, uma tem especial sentido para as pessoas idosas. A lei mosaica determinava que o primogênito recém-nascido fosse levado ao templo de Jerusalém para ser resgatado por um casal de pombos. José e Maria levaram o Menino ao templo, cumprindo o preceito da lei antiga.

Ali, no momento da oferta, estava providencialmente presente um ancião a quem Deus prometera que haveria de contemplar, na altura de seus vividos anos, o esperado Salvador da humanidade. Por isto tomou nos braços cansados o Menino de quarenta dias e louvou a Deus por terem seus olhos tido a alegria de contemplar o rosto dAquele que era esperado já há séculos.

Sob a brancura dos cabelos, olhos úmidos de alegria incontida, os braços se erguem com a Criança e dos lábios brota o hino de ação de graças: “Agora podes deixar partir este teu servo porque meus olhos já cansados puderam contemplar nesta Criança a salvação que vem de Deus”.

É assim que se espera o Natal e assim que se celebra esta festa. É no encontro com o Salvador que sentimos a felicidade de nossa vida. Natal é festa de amor para todos: para os velhos cansados da vida, há um reconforto de esperança; para os adultos, a certeza da presença de Deus que veio para ficar conosco; para os jovens, uma ocasião para escolher certo o rumo de seus passos; para os que ainda vão nascer a alegria de ter Deus bem perto de suas vidas inocentes.

Restabelecer pois a verdade do Natal. Na azáfama das compras, não perder o sentido real da festa da chegada de Deus entre nós. Moços e velhos, crianças e adultos, temos de preparar-nos para este encontro de salvação, de alegria e de graça com o Menino que nos foi dado na noite de Belém.





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por Dom Benedicto de Ulhôa Vieira ,
CNBB

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DEZ PASSOS DA ORAÇÃO


 DEZ PASSOS DA ORAÇÃO

1- Uma determinada determinação de rezar. Decidir-se a rezar todos os dias, em todos os momentos, determinar um tempo para a oração diária, para “estar a sós com aquele que sabemos que nos ama”. Não desistir.
2 - Preparação remota: criar um ambiente externo de “silêncio e recolhimento” e um ambiente interior: “presença de Deus, atenção aos sinais dos tempos e dos lugares que nos falem de Deus”, para saber reconhecer Deus que nos visita.
3 - Preparação próxima: um pouco antes da oração desligar-nos de tudo o que pode nos perturbar, preocupar. Todo encontro que é amor se prepara com antecedência e se deixa tudo por ele. Saber dar espaço para que Deus bata à nossa porta. Ele quer entrar e estar conosco no nosso “castelo interior”.
4 - Presença de Deus: é o momento importante quando, invocando o Espírito Santo, nos dispomos a rezar. Reza-se, rezando. É o Espírito Santo o mestre da nossa oração, deixe que ele reze em você. Invocar o Senhor.
5 - Leitura meditativa: é sempre bom se ajudar, quando o coração está árido, com uma leitura, preferencialmente a Bíblia, ou outro livro. Santa Teresa sempre levava um livro na sua oração. Ler lenta-atenta-amorosamente para saborear a palavra de Deus.
6 - Meditação: refletir e aplicar à nossa vida a palavra lida. Um trabalho da mente muito importante. Deus nos fala e quer que nós compreendamos a sua palavra de amor. É sempre importante escolher um tema para meditar. A improvisação em nenhuma coisa é boa, também na oração não ajuda.
7 - Diálogo afetivo ou amoroso – “coração da meditação carmelitana”: deixar expandir o coração, falar com Deus a partir da vida, do cotidiano, não ter pressa, não ter medo, dizer ao Senhor que nos ama tudo o que se passa em nosso coração. É o face a face. É o deixar-se mar por Ele.
8 - Compromisso: todo encontro oracional deve ser confirmado, consagrado num compromisso concreto, viável, que fecunde a nossa vida e nos torne sinais verdadeiros da presença de Deus. Evitar compromisso teórico e barato. O que hoje quero fazer a partir da minha meditação?
9 - Agradecer: depois de todo encontro de amor, de amizade, sentimos a necessidade de agradecer. Pode agradecer com o seu coração, com suas palavras ou com textos que lhe fazem bem: “Magnificat, Pai-nosso...”.
10 - Voltar ao trabalho: com o coração novo, com empenho e compromisso. Depois da oração não estamos mais sozinhos. Deus vai conosco, as três pessoas da Trindade trabalham conosco. É vida nova, é paz, compromisso, amor concreto.
Se todos os dias formos fiéis a este caminho de oração,
em pouco tempo a nossa vida será transformada, comprometida.
“Na realidade, a oração é um descanso, um repouso”.
É aproximar-se com toda a simplicidade daquele que se ama.
É permanecer junto a ele como um filhinho nos braços de sua mãe, num abandono do coração”

(Beata Elizabete da Trindade)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Contemplando os Mistérios Gozosos!

MISTÉRIOS GOZOSOS: 
(Rezar as 2ª feiras e Sábados - e nos domingos do advento)    
Mistérios da Alegria ou Gozosos - contemplam a encarnação do filho de Deus e sua missão no mundo;
1º Mistério - Contemplamos a Anunciação do Anjo e a Encarnação do Verbo (pedir a humildade)
Meditando: O Anjo do SENHOR anunciou a Maria que Ela ia dar à luz um Filho. NOSSA SENHORA, admirada, compreendeu que para DEUS nada é impossível! No seu silêncio e na sua modéstia, exultou de alegria. DEUS para perdoar e redimir a humanidade de suas transgressões e deixar os meios para que todos pudessem alcançar a salvação, quis nascer e viver entre nós.   
Assim, escolheu na Terra uma MÃE, entre todas a mais Santa e a mais humilde,   que assumiu dignamente e de modo perfeito a sua Divina Missão.

 2º Mistério - Contemplamos a Visitação de Maria a sua prima Isabel (pedir o amor ao próximo) 

Meditando: Maria sabendo pelo Anjo, que Isabel sua prima e estava grávida mesmo estando com adiantada idade, conversou com seus pais e José, seu noivo, sobre a necessidade de ajuda-la nos últimos três meses de gestação. No momento oportuno, quando passou uma caravana em Nazaré com destino a Jerusalém, Joaquim seu pai, foi em sua companhia até Jerusalém, enquanto 
Maria seguiu a pé os seis (6) quilômetros de Jerusalém a Ain Karin, onde morava a sua prima.

3º Mistério - Contemplamos o Nascimento de JESUS em Belém (pedir a pobreza)

Meditando: Para cumprir a ordem do poder romano, José e Maria viajaram à Belém a fim de participar do recenseamento que estava sendo realizado em todas as regiões do Império. Todavia em face da grande quantidade de pessoas em Belém, não encontraram acomodações nas casas dos parentes e amigos, porque estavam ocupadas. Então se acomodaram numa gruta, que as vezes era utilizada como estrebaria. 
Limparam o recinto e providenciaram as acomodações, inclusive o berço para o bebê. Ali, afastados do burburinho da cidade, no silêncio da noite nasceu o Menino DEUS. Enquanto José admirado contemplava o nascimento miraculoso, Maria repleta de emoção, com ternura e muito amor, ergueu JESUS em seus braços e louvou o FILHO do PAI Eterno.

4º Mistério - Contemplamos a Apresentação do Menino JESUS no Templo e a Purificação de Maria (pedir a virtude de observar os mandamentos)

Meditando: Obedecendo as prescrições da Lei de Moisés, Maria e José levaram JESUS ao Templo para Apresenta-LO a DEUS PAI CRIADOR e também para a Purificação de Maria, embora NOSSA SENHORA tenha dado à luz de maneira sobrenatural. Do mesmo modo como o ESPÍRITO DE DEUS penetrou em seu interior e gerou JESUS, misteriosamente nasceu, respeitando o seu voto de
 virgindade perpétua . Por essa razão Ela não estava sujeita ao texto da Lei. Mas humildemente e num gesto de total obediência, se submeteu a Purificação legal. Simeão, um homem justo e piedoso, que levava consigo o ESPÍRITO SANTO, esperava a chegada do Messias. Quando viu José, Maria e o Menino DEUS no Templo, foi impulsionado a se aproximar e tomando JESUS nos braços, reconheceu NELE o Messias e O louvou como o Salvador do mundo.

 5º Mistério - Contemplamos a Perda e o Encontro do Menino JESUS no Templo em Jerusalém (pedir espírito de obediência)

Meditando: Pela Lei Judaica a maioridade era alcançada pelos jovens aos 12 anos de idade. A festa da Páscoa dos 12 anos de JESUS foi na primavera do ano 7dC. Terminadas as cerimônias da Páscoa Judaica, as famílias voltaram em caravana para a sua cidade. Contudo, sem que José e Maria percebessem, JESUS permaneceu em Jerusalém. Depois de um dia de viagem, vendo que ELE não aparecia decidiram voltar.  
Assim, no dia seguinte, retornaram a Jerusalém e no terceiro dia, pela manhã O encontraram no Templo, entre os doutores da Lei, repletos de admiração pelas respostas diretas e com autoridade, que ELE lhes dava.

Terço das Santas Chagas de Cristo


EXPERIMENTE A DEVOÇÃO DAS SANTAS CHAGAS DE JESUS CRISTO, ”ELE” NÃO NEGARÁ NADA A VOCÊ.
Se entregue nas SANTAS CHAGAS e peça pelas lagrimas de SANGUE DE NOSSA MÃE SANTÍSSIMA.
SANTAS CHAGAS DE JESUS CRISTO
”Nunca deveis ter medo de exagerar na devoção das Minhas Chagas, porque nunca sereis confundido, ainda que as coisas pareçam impossíveis. Concederei tudo o que me pedirem pela invocação ás SANTAS CHAGAS. É PRECISO DIVULGAR ESSA DEVOÇÃO”
Terço das Santas Chagas
(JESUS à Ir.Maria marta de Chambon)

O Senhor, ao manifestar-Se à Irmã Maria Marta Chambon, do Mosteiro da Visitação de Santa Maria Chambery, falecida em odor de santidade em 21 de Março de 1909 , encarregou-a de invocar constantemente as Suas Chagas e de avivar esta devoção no mundo.
Para este fim, revelou-lhe com palavras vivas os tesouros que encerram essas feridas abertas na Sua Carne imaculada.
“O meu Pai compraz-Se na oferta das minhas Sagradas Chagas. Oferecer as minhas Chagas ao Pai Eterno é oferecer-Lhe a Sua Glória, é oferecer o Céu ao Céu.

As minhas Santas Chagas sustêm o mundo.
Concederei tudo o que Me pedirem pela invocação às Santas Chagas.
Obtereis tudo, porque é o mérito do meu Sangue, que é de um preço infinito.
As minhas Chagas repararão as vossas.
Das minhas Chagas saem frutos de Santidade.
Quando tendes algum desgosto, algum sofrimento, deveis colocá-lo logo nas minhas Chagas.”
Iniciando o Terço:
Deus, vinde em nosso auxílio.
Senhor, socorrei-nos e salvai-nos!
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, amém!
Oração inicial:
- Ó Jesus, Divino Redentor, sede misericordioso para conosco e para com o mundo inteiro. Amem.
- Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro. Amem.
- Graça e misericórdia, meu Jesus, durante os perigos presentes. Cobri-nos com o Vosso Sangue Precioso. Amem.
- Pai Eterno, misericórdia, pelo Sangue de Jesus Cristo, Vosso Único Filho: Tende misericórdia de nós, nós Vo-lo suplicamos. Amém!
Nas contas grandes:
– Pai Eterno, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as Chagas das nossas almas.
Nas contas pequenas:
- Meu Jesus, perdão e misericórdia pelos méritos das Vossas Santas Chagas
Finalizando o Terço
Pai Eterno, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas.
Pai Eterno, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas.
Pai Eterno, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas das nossas almas.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Bento XVI celebra festa da Imaculada Conceição

Fonte: Nicole Melhado Da Redação, com Rádio Vaticano (Tradução equipe CN Notícias)
O Papa será recebido na Praça da Espanha para o tradicional ato de Veneração da Imaculada
Nesta quarta-feira, 8, na Solenidade da Imaculada Conceição, o Papa Bento XVI recitará o Angelus na Praça de São Pedro, às 9h (horário de Brasília, 12h no horário de Roma). Já às 13h (no horário de Brasília e 16h em Roma), será recebido na Praça da Espanha para o tradicional ato de Veneração da Imaculada, com transmissão ao vivo pela Tv Canção Nova.
O Pontífice será acolhido pelo Cardeal Vigário, Agostino Vallini, e pelo prefeito de Roma, Gianni Alemanno.
“Maria é a mulher que disse 'sim' ao bem e 'não' ao mal”, lembra Bento XVI e nos convida a resgatar com confiança à Virgem, a menina que teve a coragem de recusar os enganos do poder e do prazer, e confiou sua vida em Deus, e no seu amor infinito.
Mas por que Deus escolheu Maria para gerar seu Filho Unigênito? Por que, se pergunta o Papa, “entre todas as mulheres, Deus escolheu propriamente Maria de Nazaré?”
“A resposta está ocultada no mistério insondável da divina vontade. No entanto, existe uma razão que o Evangelho coloca em evidência: a sua humildade”, ressaltou o Santo Padre.
Bento XVI lembrou no Angelus de 8 de dezembro de 2006 que Deus foi atraído pela humildade de Maria, que encontrou graça aos seus olhos.
O mistério da Imaculdada Conceição, observa o Pontífice, mostra a vitória da graça de Cristo sob o pecado original. Uma vitória que veio graças ao “sim” de Maria. “Satanás no início da criação parece ser melhor, mas vai ser um filho de uma mulher que esmagará sua cabeça. Assim, através da descendência da mulher, Deus mesmo vencerá. Essa mulher é a Virgem Maria, da qual nasceu Jesus Cristo, e pelo seu sacrifício, ele derrotou de uma vez por todas o antigo tentador”, destacou o Papa no Angelus de 8 de dezembro de 2009.
Esse é o motivo para que a festa da Imaculada convida a ter esperança, também “nas provas da vida”, como nas tempestades que fazem vacilar. “Cada vez que experimentamos a nossa fadiga e a nossa sugestão ao mal, podemos nos voltar a Ela, e o nosso coração recebe luz e conforto”, recordou o Santo Padre.  
  • Papa diz: "mal avança, mas misericórdia de Deus é mais potente"
 Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4833203-EI8142,00-Papa+mal+avanca+mas+misericordia+de+Deus+e+mais+potente.html
O papa Bento XVI disse nesta quarta-feira que o mal avança, mas "a misericórdia de Deus é mais potente que o mal".
Bento XVI pronunciou seu tradicional discurso antes da reza do Ângelus na Praça São Pedro diante de milhares de peregrinos e fiéis no dia da Imaculada Conceição, no qual é lembrado o dogma de 1854 proclamado por Pio IX.

"Nas provações da vida e especialmente nas contradições que o homem experimenta dentro de si e em seu entorno, Maria, Mãe de Deus, nos diz que a Graça é maior que o pecado, que a misericórdia de Deus é mais potente que o mal, e ela sabe transformá-lo em bem", disse o Papa.

"Infelizmente, a cada dia temos a experiência do mal, que se manifesta de muitos modos nas relações e nos eventos, mas que tem sua raiz no coração do homem", afirmou. 

Segundo o Papa, a Sagrada Escritura revela que "na origem de cada mal está a desobediência à vontade de Deus".